Alô, iniludível

A semana foi um pouco esquisita, nos preparávamos para escrever sobre os desdobramentos da entrevista de Eduardo Campos ao Jornal Nacional, quando o sem sentido invadiu a sala. Acostumados à infâmia da piada que deixa a rotina menos pesada, ninguém se arriscava a nada. As preferências partidárias sequer entraram em jogo, estava todo mundo triste e meio embasbacado porque a indesejada das gentes não é caroável, Manuel Bandeira. Voltei do trabalho exausta naquela noite e nas seguintes, muito menos pelo volume de funções do que pelo sensível que essa história e todas as outras que existem dentro dela trouxeram (um assessor com 4 meses de casamento, um co-piloto que deixa uma esposa grávida, um fotógrafo que dizia viver seu melhor momento). Então eu me lembro da Rose falando numa dessas noites geladas de Barbacena que a vida é um sopro. E reflito sobre o meu próprio projeto, quanto há de engavetado, mal-ajambrado, à espera de uma condição ideal que se não for priorizada, pode não vir? Acho que foi um pouco assim pra todo mundo que se abriu ao confronto com a própria humanidade. Na semana em que Campos morreu, já ouvi gente considerando a maternidade, considerando chutar o balde, considerando mudar de emprego, considerando mudar de país.  Eu considero parar de considerar e depois fazer tudo igualzinho. Considero que a gente passarinhe mais neste mundo em que muitos passarão.

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