O sol de todo dia

Continuo quebrando ovos temendo encontrar pintinhos; continuo sentindo uma ternura meio diaspórica, coração entre tantas fronteiras que me foram permitidas enquanto casas; continuo procrastinando; continuo fazendo um monte de coisas igualzinho. Por outra via, ganhei uma nova vida. A reintegração de posse dos dias me fez ver a bagunça causada pela vampirice. Enquanto passarinha, tomo o café da manhã de segunda com a mesma alegria de piquenique em toalha xadrez. Salto da cama antes do despertador com vontade de saudar o sol. Consigo avançar nos livros sem a demanda hercúlea dos tempos de ponta-cabeça.

Ainda assim, agradeço por ter ganhado nessa loteria do avesso que foi começar na madrugada. Foi lá que conheci um monte de gente jovem bacanuda que quer fazer a diferença no emprego público nesse mar de pessoas batendo cartão. E essa turma acabou assinando ponto nos meus afetos. Contrariamos o discurso corporativista do individualismo muito bem, obrigada. A madrugada foi suportável por quase dois anos porque brigamos juntos pelo direito supremo à vida, ainda que isso significasse abrir o primeiro vinho às quatro da matina de sábado.

Sei que, mesmo com toda a alegria trazida pela possibilidade de dormir à noite e por não ter que ingerir vitamina D em cápsulas, uma coisa não mudou. Domingos são de uma dureza rochosa, ainda que tudo em paz.

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2 comentários sobre “O sol de todo dia

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