Refestança

Acabo de descobrir o elixir da juventude, ao alcance de todos e distante das filas dos consultórios dermatológicos. Ganhei uma mochila de couro, da qual desconfiei em um primeiro momento mantendo no anonimato do armário. Quando a adultice da vida pesou, meti-lhe um pequeno kit de sobrevivência e substituí a bolsa sem a menor cerimônia. Automaticamente senti o alívio de anos, perdi uns cinco só no primeiro momento da caminhada com a mochilinha. Gostei tanto do efeito ao longo do dia que fui trabalhar com a dita cuja à noite. Minutos antes do expediente acabar, ainda havendo um pouco a ser feito para a finalização, coloquei a mochila nas costas e me voluntariei para pegar algo na geladeira da copa. Era como se a bolsa nas costas aliviasse todo o peso nos ombros, desfilava juventude no trajeto habitualmente percorrido e por vezes despercebido. A mochilinha me fazia querer dar uns pulos de pipoca, como quando saltitava para a escola pela rua XV às seis e cinquenta da manhã com medo de fecharem o portão antes que conseguisse entregar a carteirinha e partir para o primeiro horário. Desde a descoberta do que essa mochila traz, tenho adequado meu vestuário para que fique estiloso com couro caramelo. Minha pele nunca esteve tão bem e até angústia adolescente eu me pus a sofrer. Ainda dormirei com essa mochilinha, só para lembrar quais eram os sonhos de outros tempos.

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4 comentários sobre “Refestança

  1. Confesso! As vezes, venho aqui e leio um pouco dos seus textos, em silêncio, cautelosa, para que ninguém veja o quanto fico feliz em ler suas miudezas escritas com tanta poesia. E posso imaginar seu jeito meigo e sútil. E aí fico recordo suas aulas, cheia de saudade! Ahh Nara, nunca deixe de escrever, porque preciso matar a saudade sempre!

    • Graci querida,

      Você me vem sempre à cabeça e ao coração. Fico feliz por saber que frequenta minha casa. Eu também visito a sua, embora você não saiba. Tenho São Jorge dos Ilhéus no criado ao lado. Quando a saudade bate, busco uma das dedicatórias mais doces que já li.

      Como você está? Por onde anda?

      Beijos, queijos,
      Nara

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