Technicolor

Andava adiando a escrita após, em uma passagem pela capital mineira, a frase “Ela tem um blog que acompanho” tornar-se parte do meu cartão de visita e vir seguida de alguma piada sobre “querido diário”. A primeira pessoa sempre me deu, assim, um medão, porque há tanta gente babaca contida em uma única pessoa e eu, que nunca desejei ser boboca em pessoa nenhuma, mal conto pros outros que tenho um Blog cujo endereço é um imperativo canibalesco, “Coma feto”, tranquilinho! Fato é, passou o carnaval, e, quando se carnavaliza de dia e se trabalha à noite, toda a plenitude de sentido de quatro dias parece ir embora com as cinzas da quarta. Porque Brasília esteve bonita que só e foi uma grata surpresa, como uma chuva de confetes, para meu coraçãozinho. O sábado num bloco que prometia ficar na contabilidade como o único do carnaval, foi só o aperitivo para a ideia possível de ter muita diversão na cidade de onde pagam caro pra sair nos feriados prolongados.

A falta de necessidade de fazer sentido nesses dias é tão maravilhosa que deveria ser adotada na vida cotidiana. Diálogo do encontro com um pelinha num bloco insistindo numa conversa que dá uma preguiça domingueira querendo metodologia e fundamentação teórica sobre a fantasia de carnaval a qual deveria consistir em uma roupa de dormir: 

– Mas isso é uma camisola comum, não é uma fantasia e blá blá blá…

– É que durmo sem roupa. Tchau!

Chatice da Terra, se você não tira férias no carnaval, ao menos tem sua aceitação social diminuída. Por isso amo a festa e canto, pulo, pulo, canto, sinto que tenho os amigos mais legais e animados do mundo, capazes de trocar a rigorosa dieta paleolítica por um cachorro-quente de carrocinha, lançar aforismas na fila do banheiro químico, adaptar marchinhas pra os amores e dissabores nossos de cada dia, achar uma lindura as luzinhas verdes que iluminavam o Banco Central, comprar as ideias mais marmoteiras para render o chiste, e conhecermos o outro que é boa gente e nos faz ver o quanto podemos ser bairristas enquanto grupo (e como puxa-sacos da Asa Norte também).

Enquanto o de 2015 não vem, podemos promover carnavais fora de época. A proximidade dos 27 começou a pesar em algum lugar – não sei se após cair em um bloco infantil acidentalmente porque a descrição sobre a banda de pífano esqueceu a menção do traga seu filhote o que culminou em ouvir alguns diálogos acidentais sobre papinha sem glúten e sem lactose -, então resolvi que receber a nova idade no Rio faria de mim alguém muito mais jovem. Está marcado, levem confetes, serpentinas e preparem o samba no pé porque nosso bloco sai quando quer! 

    

 

 

       

 

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4 comentários sobre “Technicolor

  1. Achei esse, com a certeza de quem leu apenas poucos, o seu texto melhor de todos. Irei continuar a ler os demais para tornar a afirmação verdadeira(ou não). 😉

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