Ou isso e aquilo

Em uma mesa de bar alguém sugeriu que o descontentamento com o trabalho que se faz está virando uma constante da nossa geração. Pela estatística cervejal, de cada dez amigos questionados, nove tinham algum reclame, esperavam mais do emprego que ele poderia dar, não somente em termos financeiros, mas sobretudo em matéria de satisfação. Um texto que foi furor nas redes sociais veio à tona, de como a gente foi criado acreditando ser especial, tendo a grama verdinha em um universo de unicórnios que vomitam arco-íris, quando, em verdade, não há lugar para tantas criaturas especiais neste mundo de meu Deus, já que a própria definição da palavra está relacionada ao que não pode pertencer a todos. Então falaram de Frances Ha, o filme doce e até um pouquinho irritante pela recusa continuada de Frances em crescer, que retrata a confusão na casa dos vinte e mais anos e tem representantes divertidos por lá. O sujeito que está ocupado escrevendo uma sketch que acredita poder fazer sucesso no próximo Saturday Night Live, quando não resolve partir para o roteiro de Gremlins 3; Frances, que sonha com uma carreira artística maior do que o próprio talento; Sophie, que muda para o Japão com o noivo e detesta a vida por lá, mas faz um Blog recheado de fotos alegres e descoladas porque a mãe não leria sobre a filha em depressão… Está todo mundo ali, em Nova York, pagando caro para viver, como a gente paga em São Paulo, no Rio, em Brasília, mas vivendo, ainda que a madureza venha antes para uns que para outros.

Crescer pode até significar alguns engavetamentos e adequações, mas seria muito triste que a gente parasse de sonhar. O discurso do presidente uruguaio Pepe Mujica na Assembleia da ONU poderia estar naquela conversa de bar, para que sobrevivamos ao que está colocado com o cuidado de não constituirmos “homenzinhos médios das grandes cidades perambulando entre os bancos e o tédio”. Aqui fico com meu amigo Gê, há de se cultivar uma vida mais “viniciana”, não no sentido de grandes paixões ou vícios, se bem que, como queira, mas sobretudo no sentido de grandes encontros. Mujica fala de um dever biológico para com a vida, é bonito pensar que somos puro milagre: “Pensemos na causa profundas, na civilização do esbanjamento, na civilização do usa-tira que rouba tempo mal gasto de vida humana, esbanjando questões inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico, acima de todas as coisas, é respeitar a vida e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie é nosso ‘nós’.” A sonhar, portanto, minha gente querida, a viver!

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