Mana nova

Nete, nete,

Preciso que prometa não piripaquear quando eu estiver distante, quase tenho um treco de susto. Irmãs mais velhas podem ter defeito de fábrica, você não, Oli. Queria estar aí agora, ficaríamos grudadinhas feito chiclete, contrariando as recomendações médicas. Hoje eu não reclamaria da sua gatunice no que diz respeito ao roubo de cobertas e à ocupação de quatro quintos da cama, sobretudo cama alheia. Também aceitaria seus belos acrósticos envolvendo meu nome, tal qual Narcótica Anônima Rastreada pelo Amor. Aceitaria uma exploração de nível mediano da minha pessoa pela sua, consigo visualizar os pedidos sem fim sob a alegação: “Nati, eu desmaiei hoje…” Seria assim: inicialmente, pediria maçã picada em cubinhos com a casca retirada num processo de descascar circulatório ininterrupto (sei que me falta algum método mais preciso nessa habilidade, mas explico, as vitaminas estão na casca). Se fôssemos assistir a algum programa, seria o seu e hoje eu até admitiria, não sem algum embaraço, que eu acho Gossip Girl um pouco legal. Depois você me grudaria o pescoço daquele seu jeito Felícia, “eu vou te abraçar, eu vou te apertar”, e na minha primeira tentativa respiratória, diria assim: “É só um chamego, nete!”.

Loli, Loli, ingênua Loli, você deixa minha vida mais divertida. E quase me mata de susto pela segunda vez no dia quando na nossa conversa sobre a preocupação com a proximidade do meu aniversário de 26 que me deixará mais perto dos 30 estar chegando, você me lembra que ano que vem faz 18. Ainda que no final de 2014, isso é maluquice, irmã. Eu passei Hipoglós no seu bumbum, naquela época em que o Bepantol nem era popular. Não brigo pelos meus centímetros a menos na relação, já abstraí o fato, embora acredite que você devesse abrir mão do salto. Só fico assim assim de pensar que o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa. Canção sobre a qual você vai alegar desconhecimento por não ser da sua época, o Bamerindus faliu antes de você vir ao mundo.

Nete, hoje eu consinto que você é a fortona da casa no que diz respeito ao enfrentamento de procedimentos médicos e agulhas que não são de acupuntura. Não precisa ficar falando a cada ligação: “Nossa, nete, se fosse você com o enfermeiro que errou minha veia dez vezes consecutivas, eu imagino o drama e a careta”. Sim, irmã, você é a Mestre Jedi do soro na veia, concordo. Porém, não se acostume com a ideia, daqui a pouco você fica boa e eu negarei de pé junto quando eu for imobilizada numa brincadeira de mão e você perguntar, “Quem é mestre das agulhas nesta casa?”. Sem pestanejar, responderei o nome do cachorro: “Eu me rendo, Willy Wonka, Willy Wonka!”

 

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Um comentário sobre “Mana nova

  1. Me lembre de nunca mais ler seus post em uma tarde de sábado, solitário, sob a ermidade deste lado do país, depois de tomar umas heineken, me lembre, porque já tenho 26 anos, e não gosto de chorar sozinho. Que texto lindo… eu não sei por que ainda não te elegeram a nova Rubem Braga do século 21…

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