Para ver a noite passar

Desde que trabalho à noite, passei a apreciar mais o lusco-fusco que, antes de indicar o fim do dia, precede outras tantas jornadas. Hoje tive folga, recebi um convite para roda de samba que foi prontamente trocado para um programa gastronômico com a mesma amiga, pois eu queria ver a noite passar e curti-la de forma terna e cotidiana, como numa segunda gorda lipoaspirada pela falta de peso de um dia bom porque bastante normal, com um menu noturno nem tão trivial assim a compensar a indisposição para o almoço imediatamente após a hora de acordar neste dia da semana que é supervalorizado no temor por um bocado de gentes.

Ando refletindo sobre quanto pensamos e no terror que tenho sentido diante da violência que não permito ser paralisante, mas me assusta de alguma maneira quando leio sobre sequestro-relâmpago no Plano em moto-contínuo e penso na meleca de fim que teve a esposa do meu colega de trabalho. E que se os tempos andam vagabundos para com a humanidade, talvez estejam vagabundos e meio para com as mulheres. Daí que a gente não tem a opção “pare o mundo que eu quero descer”, então o jeito é não tomar todo o tempo por garantia e andar com fé porque quando até ela falha, lascou-se.

Hoje escolhi botar fé cega, faca amolada em ver a noite passar, com a chuva batendo no meu pimenteiro e nas palmeirinhas que deveriam ser irrigadas apenas uma vez por semana, mas parecem contentes com o passeio que andam fazendo na varanda molhada. Porque para viver de um jeito que seja possível, precisamos fazer combinações que não se encontram no manual, e eu, que leio instruções até sobre palmeirinhas em vasos vermelhos, gosto da desobediência consciente e da resposta que as coisas podem dar em seus novos arranjos.

Boo

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4 comentários sobre “Para ver a noite passar

  1. Ei querida, passei por perto, apesar de ser no centro de Brasilia, fiquei o tempo todo dentro do Sarah, quando sai no sábado tentei falar com você, mas o meu ViVo não funcionou, tentei de outro e o número dava inexistente. Dizem que o celular é para facilitar,
    creio que sou do fixo, principalmente fixada na roça. Adorei o pst, te amo. Rose

    • Rosilda, entendo que foi um passeio de enfermeira, mas não gostei nadica da ideia do nosso desencontro. Agora já sabemos não se tratar de inépcia sua com os celulares, a dificuldade é acompanhar minhas mudanças de DDD. Amiga querida, você não tem problema algum com a tecnologia, é blogueira de primeira. Já tenho fixo em casa, vou te passar para não perdermos o rumo da prosa nunquinha. Amo você mais que pão de queijo! Beijão, Naroca.

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