Da triste alegria

Ao deparar-me com o título da nova coletânea de Drummond, versos inéditos formando Os 25 Poemas da Triste Alegria, fiquei encafifada a pensar nessa boa ventura que é também melancolia. Comecei a rememorar várias situações, tentando encontrar nelas uma tristeza alegre, mas nenhuma parecia encaixar-se nessa mistura. Quando desisti de encontrar a triste alegria, foi ela quem me encontrou num SMS um pouco súbito, um pouco sem jeito, sabendo que ia me doer, mas que a dor também não poderia ser evitada. Meus grandes parceiros de jornada mato-grossense estavam sendo chamados para comer peixe com maxixe em Cuiabá de segunda a segunda. A convocação para um concurso público aguardado para não se sabe quando agora tinha data e chegava  num e-mail ligeiro,  então entendi que um monte de coisas pode efetivamente mudar num e-mail ligeiro. E me senti a mineira mais solitária de Mato Grosso, afastada  numa só cajadada de dois amigos que me ensinaram a significar o espaço de desconhecimentos.

Ouvi música de partida (meus vizinhos devem achar que estou vivenciando o estágio inicial do pé na bunda), quase roubei a senha do passe do Rick no Centro Espírita para tomar duas vezes, bebi o tereré que a Cris preparou como se fosse vodca russa, pensei um monte de goma: “Mas eles seriam os herdeiros naturais do que restasse dos meus quilos do mês no restaurante do Romário caso algo me acontecesse, e agora?”, “Quem vai me fazer bullying?”, “Quem vai me ensinar novas dimensões fraternas que eu pensava inexistir neste mundo um pouco esquisito?”. Se me for permitida uma versão tupiniquim para o fim de Casablanca, procuro pensar que “Sempre haverá Cuiabá”.  De resto, só a triste alegria é certa.

Crédito da foto: Atila, o rei do Uno
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3 comentários sobre “Da triste alegria

  1. Querida, adorei! Ainda bem que você tem experiência e sabe transformar mudança em um novo endereço para passeio. Aproveite Cuiabá visitando os novos amigos, conheça a Chapada.
    Beijos, amiga que ficou saudosa em Minas.
    Rose

    • Amiga saudosa,

      Podemos criar algumas variações redundantes: sempre há de haver BQ… Complemento: ainda que fria e feia!

      Cuide do Rômulo Stéfani na minha ausência, quando voltar ensinarei uns golpes Muay ao Zé da portaria, já está tudo planejado. Hahaha.

      Beijos, cheiros, amor,
      Naroca

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