¿Por qué no te callas?

Não há dúvidas do quanto é bom um conversê, a Avon vendendo Renew para moçoilas que ainda não saíram das espinhas com o slogan do “A gente conversa, a gente se entende” está aí para provar a eficácia, também, do papo furado.  Acontece que sempre tem alguém para abusar da regra três, alugando o ouvido alheio indiscriminadamente, citando personagens desconhecidos indefinidamente, como se fossem propriedade do universo.

_ Mas você não conhece a dona Sônia que tem um filho de 13 anos? Ele pesa 7o quilos, já está pré-diabético, adora comer um bombom escondido, só vendo. Olha que é filho de dois médicos, hein? O Seu Getúlio, pai deles é cirurgião lá na Santa Casa de Misericórdia, vive dando plantão nos finais de semana.

_ Não, não conheço.

_ Mora perto da Gercilene, prima do cunhado da Dorotéia, tem um menino bonitinho. Ai, coitada, passou um aperto com ele, teve caxumba aos cinco, caxumba desceu, o problema ficou sério. Mas voltando ao início da conversa, eu gosto de trabalhar, sabe?

_ Ah.

O interlocutor responde com uma interjeição de quem já bamboleou nos aneis de Saturno e está curtindo uma onda boa com os venusianos. Dentre os pensamentos imperfeitos que surgem tendo a voz incessante como trilha sonora, uma iluminação. Se houvesse o Tribunal Internacional pelo Bem do Ouvido Alheio, sua única sede possível seria o Palácio da Paz.

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2 comentários sobre “¿Por qué no te callas?

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