Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso

Hoje levei um esculacho doído, acusada de displicente, econômica no retorno, como se fizesse pouco de alguém conhecido também há pouco. Claro que entristeci, detestando a execução sumária, de repente me vi no paredão da nova amizade. Logo eu, que tenho fidelidade canina nas relações fraternas, independente da latitude em que me encontro. Sou quase um Gremlin na fase fofa e peluda multiplicado pela água para que não falte afeto a quem eu quero bem e a administração disso pode ser punk, mas nunca deixou de valer a pena.

Tem horas em que falho, me engano no sexto sentido e disso, Luís Felipe, o primeiro sobrinho da turma, recém-chegado a este mundo um pouco esquisito, pode dizer. Comprei-lhe um par de pantufas rosas de vaca apostando que ele seria uma menina cabeluda que ficaria uma belezura com ruminantes balançando nos pés. Talvez ele me deteste no futuro por isso, talvez seja um menino menos preconceituoso por ter uma tia um pouco biruta, isso se a Lu cumprir a promessa de calçá-lo com rosa chiclete, nem que seja por cinco minutinhos.

Retomando a ruminação inicial e a posição esquisita do banco dos réus, lamento pelo meu atropelo, e mais ainda pelo mau julgamento alheio. Lembro-me do último carnaval, o bloco derradeiro no Jardim Botânico, o desejo que a festa durasse só mais um pouquinho porque o cotidiano tem sempre menos confetes, e aquela conterrânea chata recém-conhecida sentindo-se o último ser de luz por ter surgido de um retiro na Serra torturando na avaliação da sandice alheia. Ela foi matéria para uma noite de conversa com a Dani que, mais sonada e menos disposta ao blá-blá-blá que eu, resumiu assim o papel da profeta da Zona da Mata: “Ela não é sua nêga, não é sua ‘adevogada’ e nem paga suas contas!”. Hoje, diante dessa intimidade impressionável e avaliação fast-food de caráter, me prendi ao mantra de fevereiro. A vida real pode ser um pouco mais áspera que o carnaval, mas eu continuo querendo botar meu bloco na rua.

   

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5 comentários sobre “Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso

  1. Adorei as tags. Durante minha última viagem, aprendemos a nos divertir imitando e rindo das malas da viagem, após o momento de raiva passar, claro, algo que que aprendi com você e compartilhei com os amigos.

    • Que legal ouvir isso, Chico! Torço para que as imitações tenham sido, no mínimo, mucho locas. 🙂 Faltaram as tags “obladi, oblada” e “soco, peitinho”, um clássico da Accenture que quase rendeu maxilares a menos no correr da noite. Hahaha.

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