Precipitação

Querido diário otário,

Lá se foram uns bons meses, precisei de quatro tentativas de senha para voltar a desvendar os mistérios do seu painel em branco, a fonte mudou e a coisa toda parece mais moderna, ou talvez seja eu quedando primitiva. É que voltei a sentir aquele comichão (palavra que, num último estudo da gramática, revelou-se feminina, fazendo com que eu me justifique antes pelo desconhecimento universal). Sim, tive uma comichão e não estou pirando a batatinha. O negócio é que ficou um buraco noturno, antes de dormir tenho aquelas vontades plenamente realizáveis em lugares frios e feios, como abraçar o mundo forte, abraço de urso, abraço quebra-osso, dividir o dia com todos esses pedaços meus que estão fazendo vida onde os desejos e as limitações permitem. E se a coisa está muito animada, o buraco é mais em cima, não durmo nem por decreto ou reza brava, querendo segurar cada segundinho com leveza e insistência. Tem solução para isso sem tranformar-me em uma insone? Esta semana me entreguei ao orgulho e preconceito, não é Jane Austen zumbi, mas tem sido a garantia de um soninho bom. Lizzy tornou-se amiga, juntas detestamos Mister Darcy com uma força descomunal desde a dança que não foi. Os Bennet me esperam para o jantar e prometem uma noite bem dormida. Parece mais que tolerável, talvez bonito o suficiente para tentar-me.

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3 comentários sobre “Precipitação

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