O verde clarão dos dias

Com a cabeça pelas tabelas, a imagem de 33 homens retornando dos subterrâneos à civilização me mostram que a vida bate, como em um poema de Gullar. Era noite escura, mas nem tudo dormia quando vi que a pulsão de viver existe a 700 metros de profundidade, em 69 noites que não se distinguem dos dias, a 40 graus que são úmidos e sem sol. Fico emocionada pelas notícias e não me dou o direito ao queixume nesta semana cheia de clandestinas esperanças.

Lembro-me de ter passado por aquele deserto, um pouco distante de Copiapó, e ter tido uma trégua da pesada mochila no vilarejo de San Pedro de Atacama. Lá aprendi que cáctus podem ser árvores de Natal, que o salmão pode ser deliciosamente fresco no deserto quando se tem o Pacífico por perto, que ao pedir uma empanada você pode receber um pastel, e que a quinoa existe e fica muito gostosa na forma de risoto. Não peguei a receita desse risoto que ignora por completo o arroz arbóreo e ainda não achei nada parecido na Internet. Se o seu risoto de quinoa for de comer rezando, divida comigo o segredo, embora desconfie seriamente que esse sabor só pareça alcançável em San Pedro, por todo o conjunto da obra.

Para quem se interessa mais por histórias de desertos, comidas exóticas e América do Sul, clique aqui.

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